Plano Safra: Abimaq sugere R$ 21 bilhões para modernizar máquinas agrícolas, mas vê cenário crítico para obtenção de crédito rural
02/04/2025
(Foto: Reprodução) Valor do Moderfrota é 70% maior do que o concedido pelo governo federal no ciclo 24/25. Com taxa básica de juros elevada, produtores terão que buscar outras modalidades para adquirir equipamentos, avalia presidente de câmara setorial. Plantadeira em exposição na Agrishow, em Ribeirão Preto (SP)
Wolfgang Pistori/g1
Representantes do agronegócio que integram a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) sugeriram ao governo federal uma destinação de R$ 21 bilhões no Plano Safra 2025/2026 para o Programa de Modernização da Frota de Tratores Agrícolas e Implementos Associados e Colheitadeiras (Moderfrota).
O pedido foi feito em recente reunião com o Ministério da Agricultura em Brasília (DF), segundo o presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq (CSMIA), Pedro Estevão.
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O valor, que também inclui subvenções para o médio produtor (Moderfrota Pronamp), é 70% maior do que o concedido no ciclo 2024/2025, de R$ 12,3 bilhões. A câmara setorial ainda sugeriu outros R$ 7 bilhões de crédito para o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
Segundo Estevão, os valores seriam os ideais para um plano robusto, mas que dificilmente irá se consolidar em função da elevada taxa de juros e das limitações orçamentárias para o governo compensar essa diferença aos produtores rurais.
"A gente sabe que este ano o governo tem muita dificuldade em fazer um Plano Safra maior porque aumentou o juro. Ele tem que aumentar a subvenção e não tem orçamento pra isso", disse, durante evento de lançamento da Agrishow, maior feira de tecnologia agrícola do país, que acontece no fim de abril em Ribeirão Preto (SP).
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O Moderfrota é um dos programas do Plano Safra, pacote do governo federal que financia as atividades agropecuárias do país e que só deve ser anunciado no meio do ano. Para o ciclo 2024/2025, foram destinados R$ 400,5 bilhões para a agricultura empresarial, quase 10% a mais do que no ciclo anterior.
Devido a problemas na aprovação do orçamento federal, o pacote chegou a ser suspenso pela União, mas foi retomado após uma medida provisória remanejar R$ 4 bilhões. Ainda assim, segundo Estevão, praticamente não há mais recursos disponíveis, a não ser créditos remanescentes do Banco do Brasil.
"O Plano Safra que está em vigor nos bancos, fora o Banco do Brasil, acabou no fim de outubro. No fim de outubro não tinha mais Moderfrota", afirma.
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Divulgação/ Abimaq
Juros dificultam financiamentos
As baixas expectativas do setor com relação ao crédito rural têm como principal elemento a elevação da Selic. Utilizada pelo governo para controlar a inflação, a taxa básica de juros da economia está em 14,25% ao ano e encarece a obtenção de crédito de produtores rurais para a aquisição de máquinas agrícolas.
Por um lado, é incerto se o governo federal terá condições de destinar recursos próprios para amenizar essa diferença na concessão das linhas do Plano Safra. Por outro, os juros nos bancos privados tendem a chegar à casa dos 20% com a taxa adicional que é cobrada - o spread bancário.
A título de comparação, os juros praticados no Plano Safra que vence este ano variaram entre 7% e 12% ao ano. O acesso ao Moderfrota custou de 10,5% (médios produtores) a 11,5%.
"Fora do Plano Safra, o banco capta a Selic, que está 14,25% e coloca mais o spread dele. Mesmo colocando o spread barato, eles colocam 3%, 3,5%, o negócio vai para 18%, 20%, aí fica caro, ou seja, o problema está na taxa de juros básica que é muito cara, aí fica caro para todo mundo", analisa o representante da Abimaq.
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Érico Andrade/g1
Vendas abaixo do potencial de mercado
Nesse cenário, Estevão vê a necessidade de os produtores buscarem outras modalidades para viabilizar seus investimentos.
"A gente ainda está abaixo do potencial de vendas do mercado, justamente em função da taxa de juros. Você vai ter muito negócio com outros instrumentos que não sejam financiamento. É venda à vista, venda a consórcio, outros instrumentos que não sejam financiamento, que ficou muito caro."
Para este ano, a Abimaq projeta um aumento de 8,2% nas vendas de máquinas agrícolas, que devem somar R$ 65 bilhões, bem abaixo do resultado registrado em anos como o de 2022, quando a comercialização de tratores e colheitadeiras bateu recorde e atingiu R$ 91 bilhões.
Ainda assim, contam a favor o aumento do valor bruto adicionado (VBP) da agropecuária - que totalizou R$ 1,45 trilhão em janeiro, 11% a mais do que em 2024 - e um maior ganho de receita dos produtores, associado a condições climáticas favoráveis para a produção de milho e soja.
"Nas commodities, principalmente milho e soja, não é um ano exuberante, mas ninguém tem prejuízo, mas também não é exuberante. E a gente entende que esse ano é normal, sob o ponto de vista do agricultor. O que está nos atrapalhando é a taxa de juros."
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